segunda-feira, 11 de junho de 2007

Telemetria por celular abre nicho milionário a operadoras

A transferência de informações entre equipamentos para controle e monitoramento remoto com utilização da rede GSM, tecnologia conhecida como telemetria, ou Wireless M2M (de máquina para máquina), tem se tornado a nova aposta das operadoras de telefonia móvel para elevar sua receita.
As áreas corporativas da Claro e da TIM, por exemplo, já montaram setores e desenvolveram produtos específicos para este segmento, que deve movimentar US$ 100 milhões este ano com a transmissão de dados via GPRS (tecnologia que permite a transmissão de dados por pacote via rede GSM) e US$ 1,3 bilhão entre equipamentos, dados e softwares, segundo pesquisa da consultoria especializada Itelogy.
Embora o valor pareça pequeno ao ser comparado ao faturamento total das operadoras em um único trimestre, algo em torno de R$ 8 bilhões, o crescimento do mercado de telemetria no Brasil tem chegado à casa dos 60% ao ano, de acordo com a Itelogy.
"Há uma possibilidade imensa para a exploração de sistemas que utilizam um chip em dispositivos para enviar informações via rede GSM para outro equipamento. Existem opções que vão de portões a empresas de energia elétrica, para se ter uma idéia. A partir dessa possibilidade, montamos uma equipe especializada em vender apenas serviços de telemetria", conta Ricardo Barbosa, diretor para Empresas da operadora Claro.
O diretor não revela números, mas afirma que a área é tão importante para a operadora quanto a venda de produtos relacionados à transmissão de voz e serviços de e-mails.
"Há dois anos, quase não se falava em telemetria na Claro. Hoje ela é uma das quatro frentes da área de empresas da companhia", afirma Barbosa, que também faz uma previsão bem otimista. "A venda de produtos relacionados à transmissão de dados na área corporativa, levando em consideração o potencial de uso, vai ultrapassar a de voz nos próximos doze meses. Estamos focados na venda de pacotes de dados."
Entre os principais motivos que impulsionam a telemetria está a consolidação da tecnologia GSM no País. Para Maurício Catelli, da CAS Tecnologia, antes, a comunicação via rede celular era feita a partir da troca de mensagens de texto, o que encarecia o produto. "Com a rede GSM você tem o pacote de dados a preços muito mais baixos. Imagine gastar R$ 0,10 centavos a cada minuto para enviar informações entre as máquinas. Agora o pacote é cobrado por megabytes", conta Maurício.
Em 2003, 40% das transmissões entre terminais eram feitas via telefonia fixa, enquanto apenas 5% vinham de celular. Neste primeiro trimestre, a rede móvel correspondeu a 44% da troca de dados, enquanto a fixa caiu 13%.
Por conta da presença do GSM em todos os territórios brasileiros, a TIM montou equipes de consultores para atuar na área de rastreamento de veículos, uma das modalidades da telemetria que mais têm crescido nos últimos anos, com previsão de responder por 78% do mercado. "A procura tem crescido muito nos últimos meses. Nesse caso há um misto de satélite e GSM. Onde não tem um, tem o outro", conta Ângelo Rizzi, gerente corporativo da TIM-SP. Na carteira de clientes que utilizam a telemetria, a TIM também tem empresas de energia elétrica, como a AES.
Com a chegada do GSM a sua rede, a Vivo é outra das empresas que pretendem expandir sua atuação na neste segmento "Já trabalhávamos com CDMA desde 2002. Como quem dita a regra do mercado são os desenvolvedores, e o pacote de dados é mais em conta com a rede GSM, pretendemos crescer além do previsto", diz Carlos Alberto Wysling Novaes, gerente de Divisão de Dados da Vivo Empresas. A operadora não divulga números.
Aplicações
A telemetria está presente em diversas aplicações, que vão da abertura do portão via celular, comercializada pela empresa paulista Wolpac, ao controle de gastos com eletricidade e água de empresas e condomínios.
A CAS Tecnologia, por exemplo, atua na área de energia elétrica com clientes como a Light, no Rio de Janeiro, e empresas na Colômbia, Nicarágua e, em breve, na África do Sul.
Com as soluções de telemetria, as empresas de energia passam a monitorar o consumo de de cada um, evitando perdas ou desvios.

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